Edição #6

Programa Oeste em Desenvolvimento consolida fórum para debater o futuro da região

O Programa Oeste em Desenvolvimento tem permitido que produtores e representantes de instituições públicas e privadas sentem lado a lado para identificar estratégias para acelerar ainda mais a economia do Oeste paranaense, uma das regiões mais produtivas do país.

Desde agosto, mais de 700 pessoas de diferentes setores econômicos (da academia, organizações públicas e privadas e associações de classe) debatem em condições de igualdade as questões ligadas ao futuro da região, dentro de uma perspectiva de desenvolvimento territorial (promovido a partir das próprias forças locais).

Para enriquecer esse diálogo e fortalecer o processo de tomada de decisões, as mais de 20 instituições parceiras do programa apostam nesta metodologia inovadora – com câmaras técnicas e encontros regulares – para resolver os gargalos na infraestrutura e nas cadeias produtivas, o que permitirá novos saltos de desenvolvimento na região. Ao todo são abrangidos 54 municípios, onde vivem cerca de 1,3 milhão de habitantes.

A iniciativa congrega Itaipu Binacional, Fundação Parque Tecnológico Itaipu (FPTI), Sebrae-PR, Ocepar, Emater, FIEP, Aaviopar, Adapar, Adetur, AMOP, Assunioeste, Caciopar, Codefoz, Comdec, Comdet, Iguassu IT, Nurespop, Sindileite, Siscooplaf, Unioeste e UTFPR, entre outras instituições.

O diretor-geral brasileiro da Itaipu, Jorge Samek, destacou a importância do programa para o Oeste, que, diferentemente de outras regiões, onde houve investimentos externos multinacionais (como Norte do estado e Curitiba), precisou desenvolver-se a partir de seus recursos próprios. “Aqui, tivemos que usar nossas próprias forças, e agora é a nossa vez de alavancarmos o Oeste”, afirmou.

Da pesquisa ao campo

O programa surgiu como um desdobramento de um diagnóstico econômico da região feito pela Fundação Parque Tecnológico Itaipu (PTI), a partir de 2012. O objetivo foi traçar um perfil preciso sobre as atividades econômicas mais importantes do Oeste paranaense. O trabalho identificou as principais cadeias produtivas da região, que também são as que mais geram emprego e renda.

Com base nesse critério, foram escolhidas quatro cadeias produtivas: proteína animal, com ênfase nas carnes de ave, suíno e pescado e nos laticínios; agroalimentar de base vegetal, com ênfase na produção de grãos e amido para a alimentação humana; turismo; e material de transporte.

Programa Oeste em Desenvolvimento consolida fórum para debater o futuro da região (Foto: Nilton Rolin)

Programa Oeste em Desenvolvimento consolida fórum para debater o futuro da região (Foto: Nilton Rolin)

 

Somadas à produção e distribuição de energia, de mobiliário, papel e farmacêutica, essas cadeias empregam 310 mil trabalhadores formais, segundo dados do programa. Apenas a cadeia produtiva agroalimentar possui mais de 51 mil pessoas com carteira assinada, 17% dos empregos do Oeste do Paraná. O turismo responde por nove mil empregos formais; e a cadeia farmacêutica, por outros quatro mil postos de trabalho.

Para o produtor Edmilson Zabot, de Palotina, que integra a cadeia do peixe, essa transversalidade é importante, especialmente para os setores que ainda estão em processo de organização. “Acredito que, a partir de agora, nós vamos conseguir nos estruturar, levantando os gargalos que temos, como, por exemplo, em questão de infraestrutura”, disse.

Ainda segundo ele, a expectativa é que, no futuro, o pescado tenha o mesmo peso econômico que tem o frango hoje para a Região Oeste do estado.

Desafio versus potencialidade

Estudos, entrevistas e debates apontaram os desafios, que também representam potencialidade econômica, como é o caso do dejeto de animais. O destino adequado desses resíduos biológicos, uma das preocupações dos produtores, foi identificado como potencial para a produção de biogás, o que, na prática, pode significar uma segunda fonte de renda e a autossuficiência energética (como já ocorre em algumas propriedades).

Em março foi formada a Câmara Técnica de Energias Renováveis, um dos eixos estratégicos do programa. As características fundiárias e socioeconômicas do Oeste paranaense são extremamente favoráveis à consolidação de novas fontes de energia. A Itaipu, por exemplo, desenvolve o projeto “Silício Verde”, que estuda a viabilidade de implantação, em Foz do Iguaçu, de uma grande indústria de placas fotovoltaicas.

São ações que contribuem para a construção de um cenário favorável ao desenvolvimento sustentável. Os outros eixos estruturantes são infraestrutura/logística, pesquisa e desenvolvimento, crédito e fomento, capital social e cooperação.

“As cadeias produtivas são transversais, e a questão das energias renováveis é um exemplo dessa interlocução”, explicou Mario Costenaro, presidente do Programa Oeste em Desenvolvimento. “Também fizemos reuniões e estamos trabalhando projetos para trazer mais parceiros e outros tipos de tecnologia para a discussão”, completou.

Ações imediatas, resultados em longo prazo

Segundo Costenaro, as expectativas são diluídas em projetos com prazos diversos em curto, médio e longo prazo. “Temos expectativas, mas elas não são necessariamente imediatas”, explicou. De acordo com o presidente, outra característica das ações é o aproveitamento da experiência existente para o planejamento estratégico.

Em maio, as informações já levantadas serão validadas em um encontro para definir os planos de ação das cadeias produtivas. Em julho está prevista a realização do 1º Fórum de Desenvolvimento do Território Oeste.

“O trabalho é focado em sinergia das instituições com uma metodologia nova, mas não excludente. Por exemplo, se as cooperativas têm seus planejamentos estratégicos, eles são aproveitados nos projetos. Se estamos chegando hoje a uma maturidade das ações, muito é em função do que pioneiros e empresas fizeram no passado”, ressaltou.

Boa perspectiva

Até participar de um dos ciclos do programa, o avicultor José Francisco Camatti, de Matelândia, nunca tinha tomado parte em debates com diferentes segmentos para discutir os problemas e as oportunidades do setor. “Essa é uma forma para ajudar a desenvolver a região, unindo diversos representantes da cadeia e avaliando o que pode ser feito. Porque, às vezes, você acha que está bom, mas, na verdade, não está 100%. Tem muita coisa que pode ser melhorada.”

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