Edição #9

Potencial do Oeste do Paraná é mostrado na Expo Milão

Todo o potencial do Oeste do Paraná, especialmente na produção de alimentos, e a forma como a região vem organizando-se para dar um salto na economia regional, por meio de parcerias, foram mostrados no Pavilhão Brasil, na Expo Milão, em outubro.

Texto: Abilene Rodrigues

expo-milanoO tema foi apresentado pelo presidente do Programa Oeste em Desenvolvimento, Mário César Costenaro, e pelo presidente do Conselho de Desenvolvimento Econômico de Foz do Iguaçu (Codefoz), Roni Temp. A região é uma das que mais crescem no Paraná e concentra uma das maiores produções de grãos do país.

O Oeste é formado por 50 municípios que, juntos, somam 1.291.492 habitantes (estimativa do Censo de 2015). O PIB deverá chegar a R$ 32 bilhões. O Oeste em Desenvolvimento reúne mais de 30 instituições, entre elas a Itaipu Binacional, o Sebrae, a Coordenadoria das Associações Comerciais e Empresariais do Oeste do Paraná, a Associação dos Municípios do Oeste do Paraná, o Parque Tecnológico Itaipu e a Federação das Indústrias do Paraná, além de cooperativas e instituições de ensino superior.

Criado em agosto de 2014, o Programa Oeste em Desenvolvimento tem por desafio, de acordo com Costenaro, alçar uma das regiões que mais crescem no Brasil a um novo estágio no seu processo de desenvolvimento e de estruturação. “O programa é uma das mais recentes comprovações de que o Oeste está suficientemente preparado para empregar com eficiência ferramentas modernas, como o planejamento, o conceito de foco nas cadeias produtivas propulsivas, para dar um passo além e, gradualmente, multiplicar prosperidade.”

Densidade

O Oeste do Paraná tem entre as principais cidades Cascavel, com 312.778 habitantes; Foz do Iguaçu, com 263.782; e Toledo, com 132.077.

A região possui uma das maiores frotas automobilísticas do país, com 750 mil veículos, uma média de um carro para cada grupo de 1,7 morador. A renda per capita do Oeste do Paraná chega a R$ 24 mil (US$ 6.315, considerando o dólar a R$ 3,80), cerca de R$ 1 mil superior à média nacional.

O Oeste é referência no agronegócio e no turismo. Foz do Iguaçu abriga as Cataratas do Iguaçu, a Usina de Itaipu, entre outros atrativos. Na área de saúde especializada, a região tem mais de 30 instituições superiores de ensino e perto de 40 mil acadêmicos matriculados em mais de 50 opções de cursos de graduação.

Mas é na produção de grãos – e sua transformação em proteína – que a região é destaque no mundo. O Brasil produziu, na safra 2013/2014, 196,7 milhões de toneladas de grãos (soja, milho, trigo, feijão, entre outros). O Paraná sozinho respondeu por 19,4% desse total, ou seja, 38 milhões de toneladas. O Oeste, por sua vez, teve uma participação de 27% da produção agrícola do estado.

Atualmente, mais de 85% da soja e mais de 90% do milho que a região produz são transformados em proteína animal, principalmente frango, o que faz do Oeste o campeão brasileiro em produção e em exportação desse tipo de carne.

Cooperativas

Constituídas a partir da década de 1970, as cooperativas agropecuárias deram e ainda dão forte impulso à economia regional. As cinco maiores são: C. Vale (sede em Palotina), Lar (Medianeira), Copacol (Cafelândia), Coopavel (Cascavel) e Copagril (Marechal Cândido Rondon).

Anualmente, as cinco figuram entre as maiores e melhores empresas do agronegócio brasileiro, segundo publicações especializadas. Juntas, elas faturaram R$ 13 bilhões em 2014 e deverão alcançar cifra próxima dos R$ 15 bilhões no atual exercício. No ano passado, as cinco cooperativas somavam 39.360 cooperados e davam emprego e renda a 29.873 funcionários.

Gargalos

Apesar do grande potencial, a região apresenta desafios no campo estrutural. Os quatro modais de transporte – rodoviário, ferroviário, aeroviário e hidroviário – apresentam, em diferentes graus, uma infraestrutura precária. No rodoviário, por exemplo, os problemas vão desde a falta de ligações entre os municípios até o valor abusivo dos pedágios nas rodovias.

Além disso, as estradas rurais são malconservadas e estreitas, impedindo a passagem de caminhões de grande porte. Esses fatores contribuem para o aumento no valor dos fretes, o que, por sua vez, afeta o custo final dos produtos, prejudicando a concorrência com a produção de outras regiões do Brasil e até de outros países.

Em relação ao transporte hidroviário, ele ainda é pouco utilizado para a movimentação de insumos e máquinas e para a exportação de grãos, porque são necessárias adequações para que possa ser utilizado também nos períodos do ano em que o nível dos rios está mais baixo, por exemplo.

Energia

Outro desafio do Programa Oeste em Desenvolvimento é evitar o desperdício de energia nas empresas, reduzir o valor da conta de luz e incentivar a utilização de fontes alternativas. Atualmente, a energia é o segundo maior custo das dez cooperativas agroindustriais do Oeste, que, juntas, têm uma receita anual de R$ 50 bilhões, ou metade do faturamento de todas as cooperativas do Paraná. A meta delas é reduzir em pelo menos 10% o consumo ou desperdício de energia no próximo ano.

Para isso, as cooperativas estão atuando no treinamento dos funcionários, troca de equipamentos antigos por mais eficientes, instalação de plantas de biogás, entre outras ações.

“A maior fonte de riqueza do Oeste vem das quatro cadeias produtivas: ave, suíno, leite e pescado. Precisamos encontrar formas de deixar nossos produtos mais competitivos. Uma das alternativas é usar a energia de forma mais consciente e, se possível, gerando riquezas”, explicou o secretário do Oeste em Desenvolvimento, Jaime Nascimento.

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